Elevador Proibido

O ELEVADOR

(Quando o acaso nos coloca exatamente onde o desejo já nos havia posicionado)

Meus saltos cravaram o mármore do saguão com um ritmo que denunciava a pressa. O eco desapareceu quando vi ele ali - Diego, dedos inquietos sobre os botões metálicos, o relógio de pulso marcando 22:47 como um lembrete de que já era tarde para fingir que não notara seu olhar semanas antes.

O elevador chegou com um tilintar mecânico. Entrei primeiro, consciente demais do espaço que ocupava atrás de mim. Quando as portas se fecharam, o reflexo no espelho me mostrou o que meu corpo já sabia: estávamos presos numa gaiola de tensão elétrica.

Então as luzes se apagaram.

Na escuridão, percebi três coisas numa fração de segundo:

  1. Seu perfume agora envolvia meu pescoço
  2. Meu vestido colava nas costas
  3. Alguém estava ofegando - e não sabia se era eu ou ele
"Você conta os segundos", sua voz veio de algum lugar perto da minha nuca, "ou já desistiu de fingir que isso não ia acontecer?" Minha resposta se perdeu quando seus dentes encontraram meu ombro. O tecido do meu vestido subiu como se tivesse vontade própria, e então - ah, Deus - seus dedos na minha coxa direita, traçando círculos que me fizeram arquear contra o espelho frio.

O elevador continuava parado, mas meu corpo já caía. Quando seus dedos finalmente me encontraram, molhados e impacientes, ouvi o som do meu próprio gemido ecoando no metal - um ruído vergonhoso que deveria me envergonhar, mas só alimentou o fogo.

E ENTÃO ELE ME VIROU PARA O ESPELHO

O primeiro toque foi uma invasão gloriosa. Cada centímetro de avanço dentro de mim registrado no vidro embaçado - meu rosto distorcido de prazer, suas mãos escuras contra minha pele clara, a saia amarrotada na cintura. Movia-se com uma precisão que transformava dor em êxtase, até que já não distinguia o rangido dos cabos do elevador dos meus próprios gritos abafados.

Quando o orgasmo chegou, veio como um assalto - violento, inesperado, roubando-me o fôlego e a dignidade. Diego segurou meus quadris com força bruta, prolongando cada espasmo até eu suplicar por clemência em línguas que não sabia falar.

As luzes piscaram de volta quando estávamos nos arrumando - ele ajustando o relógio, eu recolocando as alças do sutiã com dedos trêmulos. O elevador continuou sua subida como se nada tivesse acontecido.

Mas algo tinha. E no reflexo manchado do espelho, nossos sorrisos concordavam: aquela seria a primeira de muitas paradas.

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