Elevador Proibido
O ELEVADOR (Quando o acaso nos coloca exatamente onde o desejo já nos havia posicionado) Meus saltos cravaram o mármore do saguão com um ritmo que denunciava a pressa. O eco desapareceu quando vi ele ali - Diego, dedos inquietos sobre os botões metálicos, o relógio de pulso marcando 22:47 como um lembrete de que já era tarde para fingir que não notara seu olhar semanas antes. O elevador chegou com um tilintar mecânico. Entrei primeiro, consciente demais do espaço que ocupava atrás de mim. Quando as portas se fecharam, o reflexo no espelho me mostrou o que meu corpo já sabia: estávamos presos numa gaiola de tensão elétrica. Então as luzes se apagaram. Na escuridão, percebi três coisas numa fração de segundo: Seu perfume agora envolvia meu pescoço Meu vestido colava nas costas Alguém estava ofegando - e não sabia se era eu ou ele "Você conta os segundos", sua voz veio de algum lugar perto da minha nuca, "ou já desistiu de fingir que isso não ia acont...